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TIC Educação 2025 mostra que 8 em cada 10 escolas brasileiras debatem impacto do uso de telas na saúde mental dos alunos


Releases 04 AGO 2026

Discussão sobre o tema em instituições de ensino cresceu 18 pontos percentuais em um ano; pesquisa ainda aponta que baixa participação das famílias e falta de recursos educacionais de apoio limitam iniciativas de educação digital e midiática

São Paulo, 4 de agosto de 2026 – O debate sobre os impactos das tecnologias digitais na saúde mental dos estudantes já faz parte da agenda de oito em cada dez escolas brasileiras. É o que revela a nova edição da pesquisa TIC Educação, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), entidade ligada ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). Segundo o levantamento lançado hoje, a proporção de instituições de Ensino Fundamental e Médio, públicas e privadas que discutiram o tema em 2025, cresceu 18 pontos percentuais na comparação com 2024, passando de 62% para 80%.

A pesquisa mostra que os debates sobre questões relacionadas aos efeitos das tecnologias digitais no desenvolvimento dos alunos, e à adoção crítica desses recursos, estão mais presentes nas escolas do país. Em 2025, 75% dos gestores se reuniram com pais, mães e responsáveis para tratar do uso de tecnologias digitais no ambiente escolar, ante 60% no ano anterior. E 86% conversaram com professores e outros profissionais da instituição sobre o mesmo assunto – em 2024, a proporção era 68%.

Outros temas que passaram a ocupar mais espaço nas pautas das reuniões são o uso seguro, crítico e responsável das tecnologias digitais (de 56% em 2024 para 75% em 2025) e a inclusão da educação midiática no currículo escolar (de 46% para 67%).

Ações práticas

Embora o debate sobre o uso e os impactos de tecnologias tenha avançado nas escolas, a implementação de iniciativas de educação digital, midiática e para a cidadania digital ainda enfrenta desafios. O estudo aponta que 65% das instituições de ensino desenvolvem alguma ação voltada aos estudantes nessa área. A presença dessas ações, porém, é desigual, ocorrendo com maior prevalência nas escolas urbanas (72%) e entre aquelas que disponibilizam computadores e acesso à Internet para uso dos alunos em atividades educacionais (75%).

Entre as que tem essa iniciativa, 75% dos gestores apontam a baixa participação das famílias e dos responsáveis como um dos principais obstáculos, seguida pela falta de materiais e recursos educacionais de apoio (64%). Já entre as que não realizam atividades desse tipo, a principal dificuldade é justamente a falta de materiais e recursos de apoio (77%), seguida pela baixa participação das famílias (66%) e pela qualidade insuficiente dos computadores e do acesso à Internet da escola (65%).

"A intensificação do debate sobre os impactos das tecnologias digitais no ambiente escolar reflete uma importante mobilização social e pedagógica, impulsionada pelas discussões que resultaram na aprovação do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, o ECA Digital, e pela adoção de novas normas voltadas à garantia de direitos no ambiente digital", afirma Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br. "Todo esse contexto contribui para ampliar o debate nas escolas, que se consolidam espaços essenciais para a promoção e a garantia dos direitos de crianças e adolescentes."

Uso de telefones celulares

Os resultados da pesquisa dialogam com o cenário regulatório estabelecido pela Lei nº 15.100/2025 e pela Resolução nº 2/2025 do Conselho Nacional de Educação (CNE), que tratam da restrição ao uso pelos alunos de dispositivos móveis pessoais e da oferta de educação digital e midiática nas escolas. Segundo o estudo, 51% dos gestores afirmam que os alunos não podem levar o telefone celular pessoal para o ambiente escolar. Essa postura varia conforme o perfil da instituição, sendo mais restritiva naquelas com turmas até os anos iniciais (69%) do que nas com Ensino Médio (31%).

Em 40% das escolas, os alunos estão autorizados a levar o celular pessoal, mas as regras de armazenamento variam entre as instituições. Em 24%, os dispositivos devem ser guardados em bolsos ou acessórios de uso individual, como mochila ou estojo e, em 16%, em locais disponibilizados pelas escolas, como caixas, armários ou outros espaços (16%).

Entre as escolas que consentem que os alunos levem o celular para a instituição, 66% permitem o uso do celular pessoal em atividades pedagógicas, proporção que aumenta em contextos que enfrentam maiores barreiras de conectividade e de acesso a computadores: o uso pedagógico do dispositivo sobe para 76% na região Norte, 76% na região Nordeste e 75% em áreas rurais.

"Os dados mostram a necessidade de um olhar atento às desigualdades estruturais, que podem se configurar em desafios à garantia de maior equidade na oferta da educação digital, conforme prevê normativas importantes, como o Plano Nacional de Educação", pondera Daniela Costa, coordenadora da pesquisa TIC Educação. " A integração entre escolas e famílias é outro aspecto essencial para a disseminação da educação digital. Para que possam apoiar as famílias de maneira eficaz, as escolas precisam de suporte adequado e políticas públicas estruturadas."

A interlocução direta entre as instituições educacionais e as famílias sobre tecnologia ainda apresenta espaço para avanço de acordo com os resultados da décima sexta edição da pesquisa. Em 49% das escolas, os responsáveis buscaram a direção ou profissionais pedagógicos para obter orientações sobre como mediar o consumo digital de crianças e adolescentes. Na outra ponta, 48% das escolas ofereceram palestras com especialistas em bem-estar e saúde mental para as famílias, e 46% distribuíram guias e materiais de orientação sobre hábitos saudáveis de uso de recursos digitais.

Adoção de IA generativa por gestores

Pela primeira vez a TIC Educação mapeou o uso de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) generativa por gestores escolares. O levantamento indica que 53% deles já utilizam IA em atividades de gestão pedagógica, administrativa ou financeira. Dentre as principais finalidades estão a criação de conteúdos visuais ou de comunicação (83%), elaboração de convites e comunicados (80%) e tradução, revisão ou resumo de textos (71%).

Em 37% das escolas, a utilização de IA pelos estudantes em tarefas educacionais é permitida — proporção que chega a 47% na rede estadual e a 52% naquelas com turmas até o Ensino Médio. Apesar da disseminação do uso de IA em atividades de gestão pedagógica, administrativa ou financeira, apenas 22% dos gestores informaram que a escola possuía um guia de orientações sobre o uso de tais recursos no ensino, na aprendizagem ou na gestão (19% entre as escolas municipais, 25% entre as estaduais e 25% entre as particulares).

"Construir uma educação digital plena e segura é um desafio estratégico para o país que precisa ser compartilhado entre os diferentes atores sociais. A escola tem um papel importante e crescente, mas também as famílias e o Estado. Precisamos aprimorar políticas públicas e estabelecer regras para a atuação de plataformas digitais. Regulação e políticas públicas são elementos cruciais para a proteção de crianças e jovens, como aponta o ECA Digital", ressalta Renata Mielli, coordenadora do CGI.br. "As famílias e os educadores precisam de apoio para compreender a complexidade de temas imateriais, como o funcionamento de algoritmos e sistemas de Inteligência Artificial, para que possamos, coletivamente, proteger crianças e adolescentes contra os riscos e abusos no ambiente virtual."

Sobre a pesquisa

Realizada desde 2010 pelo Cetic.br | NIC.br, a TIC Educação investiga o acesso, o uso e a apropriação das tecnologias de informação e comunicação (TIC) por alunos, professores, coordenadores pedagógicos e gestores de escolas de ensino Fundamental e Médio, em atividades de ensino e de aprendizagem e de gestão educacional.

Desde 2020 a pesquisa adota uma amostra ampliada, que permite a produção de dados sobre escolas localizadas em áreas rurais e urbanas de forma unificada. De acordo com o desenho amostral da pesquisa, nas edições realizadas em anos pares, os dados são coletados presencialmente, por meio de entrevistas com alunos, professores, coordenadores pedagógicos e gestores escolares e, nas edições realizadas em anos ímpares, são entrevistados somente os gestores escolares, por meio de abordagem telefônica.

A edição 2025 da pesquisa TIC Educação – 16ª edição – foi realizada entre os meses de agosto de 2025 e abril de 2026, em 2.404 escolas de Ensino Fundamental e Médio públicas (municipais, estaduais e federais) e particulares, localizadas em área urbana e rural, com cobertura nacional. A coleta de dados foi realizada com gestores escolares por meio de entrevista telefônica assistida por computador (do inglês, computer-assisted telephone interviewing – CATI).

Os resultados da TIC Educação, incluindo as tabelas de proporções, de totais e margens de erro, estão disponíveis no website https://cetic.br/pt/pesquisa/educacao/.

Para acessar a apresentação dos principais resultados da pesquisa, visite: https://cetic.br/pt/pesquisa/educacao/analises/

Sobre o Cetic.br
O Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), do NIC.br, é responsável pela produção de indicadores e estatísticas sobre o acesso e o uso da Internet no Brasil, divulgando análises e informações periódicas sobre o desenvolvimento da rede no País. O Cetic.br|NIC.br é, também, um Centro Regional de Estudos sob os auspícios da UNESCO, e completa 20 anos de atuação em 2025. Mais informações em https://cetic.br/

Sobre o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR – NIC.br
O Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR — NIC.br (https://nic.br/) é uma entidade civil de direito privado e sem fins de lucro, encarregada da operação do domínio .br, bem como da distribuição de números IP e do registro de Sistemas Autônomos no País. O NIC.br implementa as decisões e projetos do Comitê Gestor da Internet no Brasil - CGI.br desde 2005, e todos os recursos arrecadados provêm de suas atividades que são de natureza eminentemente privada. Conduz ações e projetos que trazem benefícios à infraestrutura da Internet no Brasil. Do NIC.br fazem parte:  Registro.br (https://registro.br), CERT.br (https://cert.br/), Ceptro.br (https://ceptro.br/), Cetic.br (https://cetic.br/), IX.br (https://ix.br/) e Ceweb.br (https://ceweb.br), além de projetos como Internetsegura.br (https://internetsegura.br) e Portal de Boas Práticas para Internet no Brasil (https://bcp.nic.br/). Abriga ainda o escritório do W3C Chapter São Paulo (https://w3c.br/).

Sobre o Comitê Gestor da Internet no Brasil – CGI.br
O Comitê Gestor da Internet no Brasil, responsável por estabelecer diretrizes estratégicas relacionadas ao uso e desenvolvimento da Internet no Brasil, coordena e integra todas as iniciativas de serviços Internet no País, promovendo a qualidade técnica, a inovação e a disseminação dos serviços ofertados. Com base nos princípios do multissetorialismo e transparência, o CGI.br representa um modelo de governança da Internet democrático, elogiado internacionalmente, em que todos os setores da sociedade são partícipes de forma equânime de suas decisões. Uma de suas formulações são os 10 Princípios para a Governança e Uso da Internet (https://cgi.br/resolucoes/documento/2009/003). Mais informações em https://cgi.br/.  

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