Os direitos das crianças e adolescentes na era digital


10 SET 2014



A produção de estatísticas e o uso das mesmas nem sempre andam na mesma linha. Com essa hipótese em mente, o objetivo do workshop ‘Researching children's rights in a global, digital age’ (Pesquisando os direitos das crianças numa era digital e global, em tradução livre) foi aproximar produtores de dados e aqueles que utilizam essas informações, como pesquisadores, representantes de organismos internacionais e formuladores de políticas públicas.

O workshop fez parte da programação do 9º Fórum de Governança da Internet (IGF), realizado em Istambul entre os dias 02 e 05 de setembro, e contou com a presença de Fábio Senne, Coordenador de Pesquisas do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br).

Em sua participação, Senne apresentou um contexto geral sobre produção de dados sobre acesso e uso das TIC no Brasil, em especial no que diz respeito à pesquisa TIC Kids Online Brasil, cuja metodologia tem origem na rede europeia EU Kids Online e busca investigar os riscos e oportunidades online para crianças e adolescentes. “Algumas questões práticas devem ser consideradas. No Brasil, por exemplo, é preciso bater em mais portas até encontrar um domicílio com crianças e adolescentes usuários de Internet, uma realidade distinta daquela encontrada na Europa”.

O coordenador mencionou também o rápido crescimento do uso da Internet por crianças e adolescentes através de dispositivos móveis. “Em 2012 nós tínhamos 21% de usuários (crianças e adolescentes) acessando a Internet pelo celular. Agora em 2013 este número subiu para 53%”. Isso tem que ser considerado no desenho metodológico e é um dos desafios de pesquisas desta natureza”.

A discussão foi liderada por Sonia Livingstone, coordenadora da rede EU Kids Online e pesquisadora da área, e contou com a participação de Ankhi Das, (Facebook – Índia), Jasmina Byrne (UNICEF), Nevine Tewfik (Ministério de Comunicação e Tecnologia da Informação - Egito), Patrick Burton (Centro para Justiça e Prevenção de Crimes – África do Sul) e Kürşat Çağıltay (Universidade Técnica do Oriente Médio – Turquia). A transcrição do workshop está disponível no site do evento para consulta.