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Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR

TIC EMPRESAS 2010

setembro / dezembro de 2010

PLANO AMOSTRAL

1) Cadastros e fontes de informação utilizadas

Com o objetivo de se produzir um retrato do uso das TICs nas empresas brasileiras, considerando-se as diferenças da natureza de atuação, de porte (número de funcionários) e das cinco diferentes regiões brasileiras, a pesquisa TIC Empresas 2010 utilizou informações oriundas do Ministério do Trabalho, mais especificamente da Relação Anual de Informações Sociais (Rais).

A Rais 2008 serviu como cadastro-base para o desenho da amostra e para a seleção das empresas que seriam entrevistadas, e a escolha das seções da CNAE, assim como da estrutura de porte das empresas, segue as recomendações propostas em UNCTAD 2009.

Figura 1. Plano Amostral da TIC Empresas 2010

Figura 1. Plano Amostral da TIC Empresas 2010

2) Universo

A pesquisa tem como universo todas as empresas brasileiras com 10 ou mais funcionários cadastrados pelo Rais (ou seja, mercado formal) e que pertençam aos setores de interesse da CNAE 2.0, de maneira a preservar a comparabilidade internacional.

De acordo com a CNAE 2.0, as empresas investigadas correspondem às seções:

O universo da Rais 2008 abrangia mais de 7,1 milhões de estabelecimentos. Destes, aproximadamente 6,2 milhões correspondem aos 11 setores de interesse a partir da classificação da CNAE 2.0, restando por volta de 900 mil estabelecimentos nos outros setores.

A partir deste universo de setores de interesse, que abrange 64% dos empregos formais no Brasil, é possível identificar três subgrupos: o de estabelecimentos sem registro empregatício (Rais Negativa), com cerca de 4 milhões de estabelecimentos; outros 1,7 milhão de estabelecimentos que têm entre 1 a 9 funcionários, que concentram 14% do total de vínculos empregatícios no país; e, por fim, pouco mais de 400 mil estabelecimentos com 10 funcionários ou mais, responsáveis por 51% dos empregados formais no Brasil.

3) Unidade de investigação

A unidade de investigação é a empresa, definida, pelo IBGE, como pessoa jurídica caracterizada por uma firma ou razão social que engloba o conjunto de atividades econômicas exercidas em uma ou mais unidades locais (ou seja, o espaço físico, geralmente uma área contínua, onde uma ou mais atividades econômicas são desenvolvidas, correspondendo a um endereço de atuação da empresa).

Como o cadastro da Rais é composto por um conjunto de estabelecimentos, e não de empresas, foi necessária readequar esta base de dados, resultando na criação de uma nova base de empresas. Isso se deu da seguinte maneira:

  1. Inicialmente, o número do CNPJ do estabelecimento foi completado com zeros à esquerda, até atingir 14 dígitos.
  2. Ordenou-se as empresas por número de CNPJ.
  3. Os estabelecimentos foram agrupados pelos 8 primeiros dígitos do CNPJ, e somaram-se os dados do campo "estoque" em um único registro.
  4. Eliminaram-se as duplicidades, mantendo-se apenas o primeiro registro (matriz).
  5. Foram mantidas as informações de segmento CNAE e a região da matriz da empresa.

Esse processo, com base em 405.333 estabelecimentos, resultou nas 353.998 empresas que compõem o universo da TIC Empresas 2010. Tal alteração não trouxe como resultado um impacto na representatividade das empresas por região, porte e segmento de atividade CNAE.

Figura 2. Universo de empresas incluídas nos planos amostrais da TIC Empresas 2010.

Figura 2. Universo de empresas incluídas nos planos amostrais da TIC Empresas 2010.

4) Descrição do plano amostral e procedimentos de ponderação

A amostra da pesquisa foi desenhada pelo Ibope Inteligência. A técnica utilizada na seleção de empresas foi a amostragem estratificada não-proporcional.

Para que a análise dos dados pudesse contar com a menor margem de erro possível em cada estrato, o desenho da amostra utilizou estratificação com alocação desproporcional pelas seguintes variáveis: segmento de atividade, regiões do país e porte (10 a 19, 20 a 49, 50 a 99, 100 a 249, 250 a 499 e 500 e mais vínculos ativos). Ou seja, em cada um destes estratos é definido um número mínimo de entrevistas considerado adequado para as interpretações necessárias durante o processo analítico dos dados.

A amostra é composta a partir da combinação dessas três variáveis, isto é, por cotas de porte para cada segmento de atividade dentro de cada região do país, resultando em 330 células (5 regiões X 6 portes X 11 segmentos).

A aplicação da técnica de amostragem estratificada tem como principal vantagem uma maior precisão nos resultados da pesquisa, visto que a população amostrada é dividida em grupos mais homogêneos de empresas.

Porém existem estratos muito pequenos cuja leitura pode ser dificultada pela ausência de empresas, não satisfazendo os critérios para inclusão nesses estratos menores. Nesses casos, faz-se necessária a coleta de um número maior de empresas, o que produz uma amostra desproporcional.

Dessa forma, é importante que sejam aplicados procedimentos de ponderação - levando-se em conta as três principais variáveis de cruzamento da pesquisa - para restaurar o perfil da população de empresas e, assim, assegurar a produção de medidas corretas sobre o uso e a posse das TICs pelas organizações brasileiras. Ou seja, o fator de ponderação faz com que o perfil da amostra (percentual de empresas em cada célula - região X porte X segmento) tenha a mesma distribuição do universo considerado no estudo, garantindo que esteja bem próximo da distribuição populacional.

Utilizou-se a ponderação cell weighting, um tradicional método que utiliza a estratificação das variáveis para formular o ajuste das células por meio da não-resposta.

A etapa final consiste na aplicação dos métodos de ponderação no conjunto de dados, mais especificamente em cada uma das entrevistas, a fim de restabelecer as proporções originais de cada um dos estratos na composição do universo de interesse.

Tabela 1. Distribuição da amostra por estrato
Total 5.000 %
PORTE DA EMPRESA
(nº de funcionários)
10-19 2.437 49
20-49 1.768 35
50-99 415 8
100-249 238 5
250-499 70 1
500+ 72 1
REGIÃO Norte 204 4
Nordeste 682 14
Sudeste 2.767 55
Sul 994 20
Centro Oeste 353 7
MERCADOS DE
ATUAÇÃO - CNAE 2.0
Indústria de Transformação 1.238 25
Construção 267 5
Comércio; reparação de veículos
automotores e motocicletas
1.880 38
Transporte, armazenagem e correio 250 5
Alojamento e alimentação 438 9
Atividades imobiliárias; Atividades profissionais,
científicas e técnicas; Atividades administrativas
e serviços complementares
531 11
Informação e comunicação; Artes, cultura, esporte
e recreação; Outras atividades de serviços
396 8

Para a leitura e análise dos dados da pesquisa, fizeram-se alguns ajustes nas variáveis centrais do estudo:

Esta distribuição proporcionou as seguintes quantidades, com suas respectivas margens de erro:

Tabela 2. Erros amostrais por estrato.
Percentual (%) Amostra Margem de erro
Total 5.000 1,3 pp
PORTE DA EMPRESA
(nº de funcionários)
10 a 49 4.205 1,7 pp
50 a 249 653 2,8 pp
250 ou mais 142 3,0 pp
REGIÃO Norte 204 4,6 pp
Nordeste 682 3,5 pp
Sudeste 2.767 1,9 pp
Sul 994 3,1 pp
Centro Oeste 353 4,2 pp
MERCADOS DE
ATUAÇÃO - CNAE 2.0
Indústria de Transformação 1.273 3,0 pp
Construção 267 5,0 pp
Comércio; reparação de veículos
automotores e motocicletas
1.880 2,1 pp
Transporte, armazenagem e correio 250 5,4 pp
Alojamento e alimentação 438 4,5 pp
Atividades imobiliárias; Atividades profissionais,
científicas e técnicas; Atividades administrativas
e serviços complementares
531 4 pp
Informação e comunicação; Artes, cultura, esporte
e recreação; Outras atividades de serviços
396 4,4 pp

Cabe ressaltar também que o tamanho da amostra da pesquisa TIC Empresas evoluiu gradativamente ao longo das suas seis edições, com o objetivo de proporcionar uma leitura mais apurada dos resultados setoriais. A heterogeneidade da unidade de investigação, abrangendo setores muito distintos entre si no mesmo universo amostral, é um fator importante nesse movimento de expansão do número de entrevistas.

Tabela 3. Evolução do tamanho da amostra
  2005 2006 2007 2008 2009 2010
TAMANHO DA AMOSTRA 2.030 2.586 2.602 3.500 3.700 5.000
5) Não-resposta à unidade

A não-resposta à unidade ocorre quando houve recusa por parte da empresa sorteada em responder ao questionário, quando a entrevista for incompleta, quando a empresa selecionada por amostragem possuía um número de telefone errado ou quando este era atendido por um serviço de secretária eletrônica ou fax. Também são considerados os casos de empresas que não satisfaziam os critérios estabelecidos pelas cotas de estratificação.

Para resolver esse problema, novas empresas eram sorteadas até que fosse atingido o número de entrevistas previamente planejado.

Tabela 4. Disposição de contatos na TIC Empresas 2010.
  Número Porcentagem em relação
ao número de empresas
contatadas
Total de entrevistas
completas
5.305 15%
Total de entrevistas
incompletas
1.794 5%
Recusas 6.812 20%
Não contatados /
não rendeu entrevista
15.392 44%
Fax, secretária eletrônica,
telefones errados
5.342 15%
Total de empresas
contatadas
34.645
6) Não-resposta ao item

Ocorre quando a empresa selecionada deixa de responder a uma determinada questão. Isso acontece, geralmente, quando o respondente não tem conhecimento suficiente sobre o assunto ou quando se nega a responder.

Na maioria das questões disponibiliza-se uma opção para o respondente que se enquadra nessa classe (Não sabe, Não respondeu). Dessa forma, é possível mensurar a taxa de não-resposta para uma dada questão e também, quando necessário, aplicar procedimentos de ponderação específicos.

7) Referências bibliográficas

IBGE. Pesquisa de inovação tecnológica. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2008.

UNCTAD. Manual for the Production of Statistics on the Information Economy 2009. Nova York: Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, 2009. Disponível em http://www.unctad.org/en/docs/sdteecb20072rev1_en.pdf.